Imobilizado, intangível e depreciação para a prova do CRC
Saiba o que entra no custo do imobilizado, calcule a depreciação, revise a vida útil e entenda intangível e impairment, o 2º tema que mais cai em Contabilidade Geral.
Nº 2
Imobilizado, intangível e depreciação é o 2º tema que mais cai em Contabilidade Geral.Cerca de 18 questões nas provas FGV de 2024.1 a 2026.1, média de 3,6 por prova. Contagem aproximada, feita a partir do banco do Quiz CFC.
O essencial desta aula
Depreciação anual = (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil
Treinamento é despesa; entram no custo só os gastos para colocar o bem no local e em condição de funcionar.
Depreciar a partir de quando o bem está disponível para uso.
Subtrair o valor residual antes de dividir pela vida útil.
O imobilizado é registrado pelo custo: preço de compra, impostos não recuperáveis e todos os gastos diretamente atribuíveis para colocar o bem no local e na condição de funcionar.
Gasto
Entra no custo?
Exemplo
Preço de compra, menos descontos comerciais
Sim
R$ 100.000
Frete e seguro até a empresa
Sim
R$ 3.000
Instalação, montagem e testes
Sim
R$ 2.000
Treinamento dos operadores
Não, é despesa
R$ 1.500
Custo do imobilizado
100.000 + 3.000 + 2.000
R$ 105.000
Também não entram no custo: gastos de abertura de nova unidade, propaganda de produto novo e despesas administrativas gerais. Já a estimativa de desmontagem e restauração do local, quando a empresa tem essa obrigação, entra no custo.
Atenção: Terrenos, em regra, não se depreciam, porque têm vida útil ilimitada (as exceções são casos como pedreiras e aterros sanitários). Se a questão trouxer um imóvel, separe o valor do terreno do valor da construção antes de calcular.
Depreciação pelo método linear
Depreciação é a distribuição do valor depreciável do bem ao longo da sua vida útil. No método linear, o mais cobrado, a despesa é igual todos os anos.
Depreciação anual = (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil
Termo
O que significa
Exemplo
Custo
Preço pago mais os gastos para colocar o bem em funcionamento
R$ 120.000
Valor residual
Quanto a empresa espera obter com a venda do bem no fim da vida útil, já descontadas as despesas de venda
R$ 20.000
Vida útil
Período em que a empresa espera usar o bem
10 anos
Depreciação anual
(120.000 − 20.000) ÷ 10
R$ 10.000
Depreciação mensal
10.000 ÷ 12
R$ 833,33
Atenção: A depreciação começa quando o bem está disponível para uso, e não na data da compra.
Outros métodos que a banca cita
Saldos decrescentes: a despesa é maior nos primeiros anos e diminui com o tempo.
Unidades produzidas: a despesa acompanha o uso real do bem em cada período.
Revisão de vida útil e valor residual
A norma pede que a vida útil e o valor residual sejam revisados pelo menos ao final de cada exercício. Quando mudam, a mudança é de estimativa e vale daqui para frente: nada do que já foi depreciado é refeito.
1. Calcule a depreciação acumulada até a data da revisão.
2. Ache o valor contábil: custo menos depreciação acumulada.
3. Tire o novo valor residual e divida pela vida útil que resta.
Passo
Cálculo
Valor
Máquina de R$ 120.000, residual R$ 20.000, 10 anos
Depreciação de 10.000 por ano
Depreciação acumulada após 4 anos
4 × 10.000
R$ 40.000
Valor contábil na revisão
120.000 − 40.000
R$ 80.000
Nova estimativa: restam 5 anos, residual R$ 10.000
(80.000 − 10.000) ÷ 5
R$ 14.000 por ano
Intangível e redução ao valor recuperável
Intangível é um ativo não monetário, identificável e sem substância física, como software, marca adquirida e licença (NBC TG 04). Com vida útil definida, ele é amortizado. Com vida útil indefinida, não é amortizado e passa por teste de recuperabilidade todo ano.
Gasto gerado internamente
Tratamento
Fase de pesquisa
Despesa no resultado
Fase de desenvolvimento
Ativo intangível, se a empresa demonstrar viabilidade técnica, intenção e capacidade de concluir e usar ou vender, benefícios futuros, recursos e mensuração confiável
Ágio (goodwill), marcas e listas de clientes gerados internamente
Não são reconhecidos como ativo
Pela NBC TG 01, o ativo não pode ficar no balanço acima do seu valor recuperável, que é o maior entre o valor justo líquido de despesas de venda e o valor em uso.
Item
Cálculo
Valor
Valor contábil da máquina
R$ 100.000
Valor justo líquido de despesas de venda
R$ 80.000
Valor em uso
Valor presente dos fluxos futuros
R$ 90.000
Valor recuperável
Maior entre 80.000 e 90.000
R$ 90.000
Perda por redução ao valor recuperável
100.000 − 90.000
R$ 10.000 no resultado
Atenção: Depois da perda, a depreciação futura é calculada sobre o novo valor contábil. A perda pode ser revertida se o valor recuperável voltar a subir, exceto a do ágio (goodwill), que nunca é revertida.
Pegadinhas comuns
Errado: incluir o treinamento dos operadores no custo da máquina.
Certo: treinamento é despesa; entram no custo só os gastos para colocar o bem no local e em condição de funcionar.
Errado: depreciar a partir da data da compra.
Certo: depreciar a partir de quando o bem está disponível para uso.
Errado: dividir o custo total pela vida útil, ignorando o valor residual.
Certo: subtrair o valor residual antes de dividir pela vida útil.
Errado: lançar o ano inteiro para um bem que entrou em uso em julho.
Certo: contar só os meses de uso dentro do exercício.
Errado: na revisão de vida útil, recalcular tudo desde o custo original.
Certo: partir do valor contábil na data da revisão e dividir pela vida útil que resta.
Errado: parar de depreciar a máquina que ficou parada.
Certo: a depreciação continua com o bem ocioso. A exceção é o método das unidades produzidas, em que a despesa pode ser zero se nada foi produzido.
Errado: continuar depreciando o bem colocado à venda.
Certo: a depreciação cessa quando o bem é classificado como mantido para venda (NBC TG 31) ou quando é baixado, o que ocorrer primeiro.
Errado: amortizar o intangível de vida útil indefinida.
Certo: ele não é amortizado; passa por teste de recuperabilidade pelo menos uma vez por ano.
Errado: usar o menor entre valor justo líquido e valor em uso como valor recuperável.
Certo: o valor recuperável é o maior dos dois.
Errado: reconhecer como ativo os gastos da fase de pesquisa.
Certo: pesquisa é sempre despesa; só o desenvolvimento pode virar intangível, se atender aos critérios.
Questões oficiais da FGV
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Direto do nosso Quiz CFC. Marque uma alternativa e confira a correção comentada.
Prova FGV 2025.1 · Questão 34
Uma empresa adquiriu uma máquina em 01/01/2020 pelo custo total de R$ 240.000,00, com vida útil estimada em 8 anos, sem valor residual, depreciada pelo método linear.
Em 31/12/2024, a empresa reavaliou a vida útil para 10 anos, aumentando em 2 anos a vida útil inicialmente estimada. Além disso, verificou que o valor residual da máquina passou a ser de R$ 40.000,00.
Com base exclusivamente nos dados apresentados, o valor anual da despesa de depreciação a ser contabilizada a partir das alterações ocorridas em 31/12/2024 deve ser de
Depreciação original: 240.000 ÷ 8 = 30.000 por ano. Em 5 anos (2020 a 2024): 150.000. Valor contábil: 90.000. A nova vida útil total de 10 anos deixa 5 anos restantes. Nova base: 90.000 − 40.000 de residual = 50.000. Depreciação: 50.000 ÷ 5 = R$ 10.000 por ano.
Prova FGV 2025.2 · Questão 19
A empresa Delta S.A. adquiriu uma máquina por R$ 350.000,00 em 01/01/2020, com vida útil estimada de 10 anos e valor residual de R$ 50.000,00, depreciada pelo método linear desde 01/01/2020.
Em 31/12/2023, a empresa revisou suas estimativas, conforme a NBC TG 27 (R4), e constatou: vida útil remanescente de 9 anos e valor residual de R$ 50.000,00.
Com base exclusivamente nas informações apresentadas, o valor da depreciação anual dessa máquina a partir de 01/01/2024 será de
Depreciação original: (350.000 − 50.000) ÷ 10 = 30.000 por ano. Em 4 anos (2020 a 2023): 120.000. Valor contábil em 31/12/2023: 230.000. Nova base: 230.000 − 50.000 = 180.000, dividida pelos 9 anos restantes = R$ 20.000 por ano.