Contadoras Empreendedoras

Prova do CRC / Contabilidade Geral / Imobilizado, intangível e depreciação

Contabilidade Geral · NBC TG 27, NBC TG 04 e NBC TG 01

Imobilizado, intangível e depreciação para a prova do CRC

Saiba o que entra no custo do imobilizado, calcule a depreciação, revise a vida útil e entenda intangível e impairment, o 2º tema que mais cai em Contabilidade Geral.

Nº 2
Imobilizado, intangível e depreciação é o 2º tema que mais cai em Contabilidade Geral. Cerca de 18 questões nas provas FGV de 2024.1 a 2026.1, média de 3,6 por prova. Contagem aproximada, feita a partir do banco do Quiz CFC.

O essencial desta aula

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O que entra no custo do imobilizado

O imobilizado é registrado pelo custo: preço de compra, impostos não recuperáveis e todos os gastos diretamente atribuíveis para colocar o bem no local e na condição de funcionar.

GastoEntra no custo?Exemplo
Preço de compra, menos descontos comerciaisSimR$ 100.000
Frete e seguro até a empresaSimR$ 3.000
Instalação, montagem e testesSimR$ 2.000
Treinamento dos operadoresNão, é despesaR$ 1.500
Custo do imobilizado100.000 + 3.000 + 2.000R$ 105.000

Também não entram no custo: gastos de abertura de nova unidade, propaganda de produto novo e despesas administrativas gerais. Já a estimativa de desmontagem e restauração do local, quando a empresa tem essa obrigação, entra no custo.

Atenção: Terrenos, em regra, não se depreciam, porque têm vida útil ilimitada (as exceções são casos como pedreiras e aterros sanitários). Se a questão trouxer um imóvel, separe o valor do terreno do valor da construção antes de calcular.

Depreciação pelo método linear

Depreciação é a distribuição do valor depreciável do bem ao longo da sua vida útil. No método linear, o mais cobrado, a despesa é igual todos os anos.

Depreciação anual = (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil
TermoO que significaExemplo
CustoPreço pago mais os gastos para colocar o bem em funcionamentoR$ 120.000
Valor residualQuanto a empresa espera obter com a venda do bem no fim da vida útil, já descontadas as despesas de vendaR$ 20.000
Vida útilPeríodo em que a empresa espera usar o bem10 anos
Depreciação anual(120.000 − 20.000) ÷ 10R$ 10.000
Depreciação mensal10.000 ÷ 12R$ 833,33
Atenção: A depreciação começa quando o bem está disponível para uso, e não na data da compra.

Outros métodos que a banca cita

Saldos decrescentes: a despesa é maior nos primeiros anos e diminui com o tempo.
Unidades produzidas: a despesa acompanha o uso real do bem em cada período.

Revisão de vida útil e valor residual

A norma pede que a vida útil e o valor residual sejam revisados pelo menos ao final de cada exercício. Quando mudam, a mudança é de estimativa e vale daqui para frente: nada do que já foi depreciado é refeito.

1. Calcule a depreciação acumulada até a data da revisão.
2. Ache o valor contábil: custo menos depreciação acumulada.
3. Tire o novo valor residual e divida pela vida útil que resta.
PassoCálculoValor
Máquina de R$ 120.000, residual R$ 20.000, 10 anosDepreciação de 10.000 por ano
Depreciação acumulada após 4 anos4 × 10.000R$ 40.000
Valor contábil na revisão120.000 − 40.000R$ 80.000
Nova estimativa: restam 5 anos, residual R$ 10.000(80.000 − 10.000) ÷ 5R$ 14.000 por ano

Intangível e redução ao valor recuperável

Intangível é um ativo não monetário, identificável e sem substância física, como software, marca adquirida e licença (NBC TG 04). Com vida útil definida, ele é amortizado. Com vida útil indefinida, não é amortizado e passa por teste de recuperabilidade todo ano.

Gasto gerado internamenteTratamento
Fase de pesquisaDespesa no resultado
Fase de desenvolvimentoAtivo intangível, se a empresa demonstrar viabilidade técnica, intenção e capacidade de concluir e usar ou vender, benefícios futuros, recursos e mensuração confiável
Ágio (goodwill), marcas e listas de clientes gerados internamenteNão são reconhecidos como ativo

Pela NBC TG 01, o ativo não pode ficar no balanço acima do seu valor recuperável, que é o maior entre o valor justo líquido de despesas de venda e o valor em uso.

ItemCálculoValor
Valor contábil da máquinaR$ 100.000
Valor justo líquido de despesas de vendaR$ 80.000
Valor em usoValor presente dos fluxos futurosR$ 90.000
Valor recuperávelMaior entre 80.000 e 90.000R$ 90.000
Perda por redução ao valor recuperável100.000 − 90.000R$ 10.000 no resultado
Atenção: Depois da perda, a depreciação futura é calculada sobre o novo valor contábil. A perda pode ser revertida se o valor recuperável voltar a subir, exceto a do ágio (goodwill), que nunca é revertida.

Pegadinhas comuns

Errado: incluir o treinamento dos operadores no custo da máquina.
Certo: treinamento é despesa; entram no custo só os gastos para colocar o bem no local e em condição de funcionar.
Errado: depreciar a partir da data da compra.
Certo: depreciar a partir de quando o bem está disponível para uso.
Errado: dividir o custo total pela vida útil, ignorando o valor residual.
Certo: subtrair o valor residual antes de dividir pela vida útil.
Errado: lançar o ano inteiro para um bem que entrou em uso em julho.
Certo: contar só os meses de uso dentro do exercício.
Errado: na revisão de vida útil, recalcular tudo desde o custo original.
Certo: partir do valor contábil na data da revisão e dividir pela vida útil que resta.
Errado: parar de depreciar a máquina que ficou parada.
Certo: a depreciação continua com o bem ocioso. A exceção é o método das unidades produzidas, em que a despesa pode ser zero se nada foi produzido.
Errado: continuar depreciando o bem colocado à venda.
Certo: a depreciação cessa quando o bem é classificado como mantido para venda (NBC TG 31) ou quando é baixado, o que ocorrer primeiro.
Errado: amortizar o intangível de vida útil indefinida.
Certo: ele não é amortizado; passa por teste de recuperabilidade pelo menos uma vez por ano.
Errado: usar o menor entre valor justo líquido e valor em uso como valor recuperável.
Certo: o valor recuperável é o maior dos dois.
Errado: reconhecer como ativo os gastos da fase de pesquisa.
Certo: pesquisa é sempre despesa; só o desenvolvimento pode virar intangível, se atender aos critérios.

Questões oficiais da FGV

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Prova FGV 2025.1 · Questão 34

Uma empresa adquiriu uma máquina em 01/01/2020 pelo custo total de R$ 240.000,00, com vida útil estimada em 8 anos, sem valor residual, depreciada pelo método linear.
Em 31/12/2024, a empresa reavaliou a vida útil para 10 anos, aumentando em 2 anos a vida útil inicialmente estimada. Além disso, verificou que o valor residual da máquina passou a ser de R$ 40.000,00.
Com base exclusivamente nos dados apresentados, o valor anual da despesa de depreciação a ser contabilizada a partir das alterações ocorridas em 31/12/2024 deve ser de

Prova FGV 2025.2 · Questão 19

A empresa Delta S.A. adquiriu uma máquina por R$ 350.000,00 em 01/01/2020, com vida útil estimada de 10 anos e valor residual de R$ 50.000,00, depreciada pelo método linear desde 01/01/2020.
Em 31/12/2023, a empresa revisou suas estimativas, conforme a NBC TG 27 (R4), e constatou: vida útil remanescente de 9 anos e valor residual de R$ 50.000,00.
Com base exclusivamente nas informações apresentadas, o valor da depreciação anual dessa máquina a partir de 01/01/2024 será de
Próxima aulaEstoques e CMV

Fontes

  • Normas: NBC TG 27, NBC TG 04 e NBC TG 01, disponíveis no site do Conselho Federal de Contabilidade.
  • Questões: provas oficiais do Exame de Suficiência aplicadas pela FGV (edições 2024.1 a 2026.1), com gabarito oficial. Página do exame na FGV.
  • Frequência dos temas: contagem feita a partir do banco de questões do Quiz CFC da Contadoras Empreendedoras. Classificação por tema aproximada.
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